
Leia abaixo a entrevista feita pelo colunista da Revista Època, Felipe Patury, com o pré-candidato à prefeitura de São Paluo, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força.
Presidente da Força Sindical, o deputado Paulinho da Força (PDT) já é um personagem frequente nas pré-campanhas eleitorais paulistanas. Ele concorreu em 2004, quando terminou em quinto lugar. Em 2008, anunciou que voltaria a concorrer, mas acabou apoiando a petista Marta Suplicy. Paulinho garante que, agora, vai até o fim. “Tenho as condições para conversar com muito mais gente que eles”, disse, ao jornalista Marcelo Osakabe.
Até agora, não nenhum partido indicou que seguirá com o PDT na eleição de outubro. O partido insistirá em lançar sua candidatura mesmo nessas condições? Realmente, não temos muita esperança de ter aliados neste primeiro turno. Conversaremos com eles se passarmos para o segundo turno. Quem tiver 20% dos votos chega lá e eu já tenho perto de 10%.
O que fará para dobrar esse porcentual? A campanha em São Paulo é muito centrada na televisão e rádio. Temos o quarto ou quinto maior tempo de exposição. Acho que é o suficiente para mostrarmos as propostas que temos para a cidade. Eu tenho uma outra vantagem em relação aos outros nomes: os sindicatos. Envolvendo essa militância da Força Sindical, fazendo campanha em empresas e em portas de fábricas, tenho condições de conversar com muito mais gente do que eles.
O que o senhor dirá? Que a cidade tem enormes problemas de moradia, saúde e transporte. No caso de habitação, precisamos de um programa para o 1,3 milhão de pessoas que moram em favelas. Outro problema é o número de moradias em situação irregular. Na capital, elas chegam a 40%. Na área da saúde, temos um caos completo. Acredito que o problema seja mais de gestão dos recursos do que a falta deles.
Parece uma crítica à gestão do prefeito Gilberto Kassab, da qual o PDT participou e à qual ele apoiou. Tenho uma boa relação com Kassab. Ele esteve bem até um determinado momento. Depois que começou a cuidar da criação do seu partido, o PSD, ele se descuidou. A cidade começou a ter problemas. Kassab também concentrou demais o poder nas secretarias e esvaziou as subprefeituras. Deixou o comando delas nas mãos de oficiais de reserva. Não tenho nada contra eles, mas acho isso um erro. As pessoas têm dificuldade em conversar com oficiais. Isso as afasta das subprefeituras e consequentemente da prefeitura.
Seu partido apoia o PT em Brasília, namora com o PSDB no estado e Kassab na capital. Em um eventual segundo turno, ficará com o petista Fernando Haddad ou com o candidato do outro campo? Não dá para conversar isso agora. É muito cedo para discutir segundo turno até porque eu tenho metade dos votos que imagino serem necessários para me levar até lá. Além disso, no caso do Haddad, não sabemos nem se ele vai deslanchar. Embora o PT tenha certa capilaridade em São Paulo, acho que Haddad terá dificuldade para emplacar, ao contrário de Marta Suplicy, que já iniciaria a campanha com seus 30%.
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