PSDB: ‘Não há a menor chance de CPI avançar’

Presidente do PSDB federal, o deputado Sérgio Guerra (PE) escancarou em público algo que só costuma ser admitido em privado. Numa conversa com empresários mineiros, em Belo Horizonte, o dirigente tucano declarou: “Não há a menor chance de a CPI avançar. Não vejo muita gente interessada. As investigações se esgotam num processo que já se deu. As coisas já foram investigadas.”

 

Deve-se o relato da conversa ao repórter Carlos Eduardo Cherem. Quem lê a reportagem fica tentado a concluir que, igualados em abjeção nas páginas dos inquéritos da PF, os partidos adotam uma tática conhecida. Aniquiladas as individualidades, busca-se a fidelidade do todo por meio da cumplicidade das partes.

 

“A CPI atinge o Executivo no plural”, disse Sérgio Guerra. “Os governos estaduais e federal não querem deixar a comissão ir adiante porque tem coisa por trás. A pauta administrativa da comissão de investigar governos de vários partidos, saber se as licitações foram regulares ou irregulares… Nos partidos, não vejo muitos interessados.”

 

E quanto a Marconi Perillo? Bem, o presidente do PSDB diz que o governador tucano de Goiás “quer ser ouvido” pela CPI. Mas Guerra apressa-se em levar a mão ao fogo pelo correligionário. Acha que Perillo não merece ser levado nem ao Conselho de Ética do partido, constituído às pressas.

 

Vale a pena ouvir o presidente do PSDB: “Não há dúvidas sobre o governador Perillo. Ouvimos todas as suas explicações e os dados que dão conteúdo a essas explicações. Tenho 100% de certeza de que nada há contra o governador de Goiás”.

 

E quanto ao deputado Carlos Leréia (PSDB-GO), pilhado em diálogos monetários com Carlinhos Cachoeira? “Leréia é acusado de manter relação de amizade com o Cachoeira. Rigorosamente é isso”, desdenha Guerra. “Ele é um amigo do Cachoeira. Essa questão tem de ser examinada por essa perspectiva: ele não tem responsabilidades administrativa.”

 

E daí? “Temos de ver se sua vida pessoal fere a ética da conduta do parlamentar. Ele vai à CPI e já se ofereceu para se explicar para o partido. Mas, desde logo, não há nada que o envolva em qualquer irregularidade.”

 

Quer dizer: se você é um brasileiro otimista, desses que acreditam que a CPI pode resultar em algo proveitoso, convém perceber que não se deve crer em nada. Exceto, naturalmente, na crença do descrer.

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