Por Aécio, PSDB vende em 2012 peixe de 2014

Nas últimas três eleições presidenciais, o PSDB escondeu o legado de FHC. Em 2012, ano de discutir os problemas das cidades, a legenda decidiu retirar o passado do armário e tentar pôr em pé um plano para o futuro.

 

Em encontro com candidatos tucanos às prefeituras de uma centena de municípios (José Serra não deu as caras), Sérgio Guerra e Aécio Neves informaram: deseja-se aproveitar a vitrine de 2012 para enaltecer a herança de FHC e martelar temas federais.

 

Numa palavra, o PSDB quer “nacionalizar” o pleito municipal, fazendo soar agora o bumbo de 2014. Provável representante da legenda na próxima sucessão presidencial, Aécio antevê um adensamento da crise econômica.

 

Avalia que, ao olhar em volta, o eleitor continuará identificando no PSDB a principal alternativa de poder. Daí a ideia de aproveitar 2012 para levar à janela o passado esquecido e os planos futuros para áreas como saúde, educação e segurança.

 

Munido de pesquisas, o tucanato se deu conta de que, ao renegar FHC, permitiu que o PT se apropriasse sozinho de conquistas como a estabilização da economia. E quer recordar ao eleitor a arrumação da casa começou na Era FHC, com a Lei de Responsabilidade Fiscal e o Pano Real.

 

A decisão de dar à disputa municipal contornos federais já havia sido noticiada aqui. Informou-se que a direção do PSDB pretende se apropriar de algo como 20% da propaganda de rádio e tevê de seus candidatos a prefeito.

 

Tudo muito bonito. O diabo é que os dirigentes tucanos escolheram uma hora imprópria para recordar FHC e informar que dispõe de um plano para o pós-Dilma. O calendário de 2012 oferece ao brasileiro uma nova oportunidade para refletir sobre outras questões. Problemas que lhe são mais próximos e não menos aflitivos.

 

Deseja-se dos candidatos a prefeito que falem não de 2014, mas de coisas como opções de transporte coletivo, buracos no asfalto, ausência de ciclovias, coleta do lixo doméstico, iluminação pública, conservação de praças e monumentos e um interminável etcétera.

 

Se dedicassem 110% de sua propaganda de tevê para os temas municipais, os candidatos tucanos não teriam tempo para abordar todos os dramas que inquietam o eleitor. Ao ocupar 20% da vitrine com a temática nacional, o PSDB passa ao dono do voto a impressão de que esses assuntos compõem uma agenda de segunda classe. Erro.

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