Partidos já se preparam para pressionar Dilma por ‘nova’ reforma ministerial após as eleições

 

Às voltas com a crise econômica, Dilma Rousseff ganhará uma encrenca política para administrar no final do ano. Os partidos que dão suporte congressual ao governo colecionam argumentos para cobrar da presidente uma “nova” reforma do ministério depois da abertura das urnas municipais de outubro.

 

O movimento se forma como uma onda. Começa no PMDB, ganha corpo no PT e já embala os apetites de legendas de porte médio. Os ruídos da maré chegaram aos ouvidos de Lula. Há uma semana, em conversa com um parlamentar petista, o antecessor de Dilma referiu-se à repactuação pós-eleitoral como algo incontornável.

 

O fenômeno tornou-se comum na democracia brasileira. Os presidentes se elegem sabendo que, dali a dois anos, haverá eleições com potencial para alterar a geografia partidária nos municípios e a correlação de forças em Brasília. O inusual é que a onda comece a se insinuar antes da contagem dos votos.

 

Um dos ministros que representam o PT na Esplanada antevê problemas. Afirma que Dilma não ignora que a refrega municipal pode apontar a necessidade de ajustes. Mas recorda: ela já deu demonstrações de que é refratária a pressões. São três os argumentos que começam a desaguar no Planalto:

 

1. O jogo de 2014: No dizer de um dirigente do PMDB, a reforma ministerial será cobrada pelo “bom senso”, não pelos partidos. Passada a eleição municipal, as legendas vão direcionar suas engrenagens para 2014, quando estarão em jogo as cadeiras do Congresso, os assentos de governadores e, sobretudo, a poltrona de presidente.

 

Nessa versão, 2013 tem um quê de recomeço. E Dilma terá de “escalar o time” com o qual pretende disputar a reeleição, prestigiando os mais fortes e os menos infiéis com pedaços da administração pública compatíveis com as características de cada agremiação. O PMDB, por exemplo, considera-se subrepresentado no governo.

 

2. Os fatos novos: Alega-se que a temporada de formação das coligações municipais evidenciou deformações no condomínio governista. O caso mais mencionado é o do PSB de Eduardo Campos. O partido rendeu homenagens a Lula, cedendo seu tempo de tevê ao petista Fernando Haddad, em São Paulo. Porém…

 

O PSB declarou guerra ao PT em Recife, província de Eduardo; e em Fortaleza, cidadela dos irmãos Cid e Ciro Gomes. De resto, rompeu na última hora com o petismo de Belo Horizonte, rendendo-se às conveniências de uma aliança com o PSDB do presidenciável Aécio Neves.

 

Na opinião de parte da cúpula do PT, ficou entendido que Dilma terá de verificar com Eduardo Campos que apito ele pretende tocar em 2014. Esse grupo considera que a presidente talvez tenha de considerar a hipótese de acomodar num ministério o PSD do prefeito paulistano Gilberto Kassab, afastando-o da órbita de influência do governador pernambucano, hoje seu principal aliado.

 

Para o pedaço do PMDB ligado a Michel Temer, que perdeu para o PSB a pasta da Integração Nacional na transição de Lula para Dilma, evidenciou-se a “injustiça”. Depois de socorrer o PT mineiro a pedido da presidente, o PMDB considera-se credor de gestos de reconhecimento. Afora a repaginação da Esplanada, espera que seja interrompido o lero-lero segundo o qual Eduardo Campos seria uma boa alternativa de vice para a chapa reeleitoral de 2014.

 

3. A ruína congressual: Dilma chega ao ocaso do seu segundo ano de mandato com problemas de relacionamento no Congresso que não ornam com sua popularidade nas pesquisas. Afora as querelas pontuais que produziram rusgas no PT e no PMDB, o Planalto assiste à disseminação da infidelidade em legendas menores. Algo que, num período de crise, potencializa o risco da irresponsabilidade fiscal. Para usar o palavreado de Dilma, os aliados podem se sentir como que estimulados a “brincar à beira do precipício”.

 

Nas conta de uma liderança petista da Câmara, Dilma coleciona problemas em pelo menos cinco legendas: PR, PDT, PSB, PSC e PTB. Nesse grupo, há os que perderam ministério (PR), os que não se consideram representados pelo ministro que foi nomeado (PDT), os que se julgam merecedores de pastas (PSC e PTB) e os que flertam com um projeto alternativo de poder (PSB).

 

Ou seja: depois que falarem as urnas dos municípios, será ressuscitado nas manchetes o velho e enfadonho alarido provocado pelo apetite dos partidos por nacos de poder negociados no baixo mercado político de Brasília. Pela enésima vez, as legendas despontarão no noticiário pleiteando, pedindo, querendo, ameaçando romper com o governo…

 

Na teoria utilizada para envernizar as pretensões, o movimento reivindicatório é justificável. Quem apoia tem o direito de participar do governo. Na prática dos escândalos que pipocam sob o verniz, insinuam-se perguntas incômodas. Que fará o partido X com o ministério Y? Gastará o dinheiro do orçamento em ações que produzam gerem benefícios políticos para a legenda? Premiará ONGs companheiras? Roubará?

 

Considerando-se os expurgos que Dilma foi compelida a realizar no primeiro ano de sua gestão, as respostas são conhecidas. Em parte, Dilma deve os índices de popularidade superiores a 70% à pseudofaxina. Uma generosidade da platéia, já que, excetuando-se o PR, que não retornou à pasta dos Transportes, nos outros ministérios alcançados pela vassoura trocou-se seis por meia dúzia. Os partidos dos ministros micados foram convidados a indicar os substitutos.

 

Com honrosas exceções, nada assegura que os ministros que entraram não sejam meros protagonistas de novos escândalos esperando para acontecer. É nesse cenário que Dilma será convidada a renovar as alianças. Rendendo-se ao assédio, arrisca-se a perder a aura de “diferente”. Resistindo, leva água aos moinhos alternativos que rodam à sua volta.

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