Dilma avaliza acordo para entregar comando da Câmara ao líder do PMDB no biênio 2013-2014

Com o aval de Dilma Rousseff, as cúpulas do PT e do PMDB realizarão em agosto um encontro para revalidar acordo assinado em dezembro de 2010. Prevê o rodízio das duas legendas na presidência da Câmara na legislatura que começou em 2011 e vai até 2014. Ficara acertado que um deputado do PT presidiria a Casa no primeiro biênio (2011-2012). Um representante do PMDB iria à poltrona no biênio derradeiro (2013-2014).

 

A primeira parte da combinação foi cumprida com a eleição do petê Marco Maia (RS) para o comando da Câmara em fevereiro de 2011. Em movimentação subterrânea, um pedaço do petismo ameaçava roer a corda, negando-se a apoiar o candidato que representará o PMDB na sucessão interna, em fevereiro de 2013.

 

Dilma chamou ao seu gabinete, no Planalto, o presidente do PT federal, Rui Falcão, e o vice-presidente da República, Michel Temer, licenciado da presidência do PMDB. Para encerrar as futricas que envenenam as relações dos sócios majoritários de sua coligação, a presidente patrocinou a revalidação do acordo.

 

A conversa aconteceu na terça-feira (10). Falcão foi ao encontro munido do documento que selara o entendimento de 2010. Traz as assinaturas de Temer e de José Eduardo Dutra, que presidia o PT na época. Para eliminar qualquer réstia de dúvida, Temer correu os olhos pelo texto.

 

Ante a confirmação da autenticidade da peça, Dilma declarou-se de acordo com o conteúdo. Expressou-se em timbre categórico. Além de apoiar o cumprimento do acordo reafirmou que enxerga no PMDB um parceiro preferencial e estratégico. Acertou-se, então o encontro de cúpula de agosto.

 

Como que decidido a amarrar todas as pontas do novelo, Temer levou à mesa o nome de Henrique Eduardo Alves, líder do PMDB na Câmara e candidato do partido à sucessão de Marco Maia. Disse que agendaria para outubro uma reunião da bancada do partido para oficalizar a indicação Henrique. Rui Falcão manifestou concordância. Dilma, que vinha manifestando em privado uma aversão ao amigo de Temer, ecoou Falcão.

 

Com seu gesto, Dilma reachega-se ao PMDB num instante em que prolifera no partido a insatisfação com o papel que lhe foi reservado na gestão atual. A despeito da presença de Temer na vice-presidência, o PMDB é considera-se agora menos importante do que foi sob Lula.

 

Perdeu ministérios relevantes como o da Integação Nacional e o das Comunicações. Amealhou pastas tidas como “técnicas” –Previdência e Agricultura, por exemplo— ou de “segunda linha” –caso do Turismo. Para complicar, Dilma cuidou de acomodar sob os ministros do PMDB secretários-executivos de sua confiança, espécies de “vigias” do Planalto.

 

Na pasta de maior peso, a de Minas e Energia, confiada a Edison Lobão, um apadrinhado de José Sarney (PMDB-AP), além do secretário-executivo “bedel”, Dilma teve o cuidado de assenhorar-se da Petrobras. Chamada de “Dilma da Dilma”, Graça Foster, a atual presidente da estatal petroleira, reporta-se ao Planalto, não ao pseudochefe Lobão.

 

Submetido à tática do torniquete administrativo que limita a utilização política dos pedaços da máquina pública que lhe coube gerir, o PMDB passou a conviver com grupos que buscam projetos alternativos de poder para 2014. Mesmo integrantes da ala mais ligada a Temer declaram-se encantados com a movimentação de Eduardo Campos, o governador pernambucano e presidente do PSB. O encantamento cresce na proporção direta do agravamento da crise econômica que desafia o propalado talento gerencial de Dilma.

 

Nesta quinta (12), num evento partidário realizado em São Paulo, Temer retribuiu os afagos de Dilma com uma declaração apaziguadora. Disse que “é muito provável” que a aliança que une PT e PMDB ao redor de Dilma seja reeditada em 2014. A parceria, segundo ele, “está fortalecida”. Vai reproduzido abaixo o texto do acordo que as legendas firmaram em 2010 e que Dilma abençoou com seu aval:

 

Os presidentes do PT, José Eduardo  Dutra, e do PMDB, Michel Temer, representam as legendas que foram os principais esteios da candidatura vitoriosa de Dilma Rousseff à Presidência da República. Esse parceria já oferece ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva sustentação parlamentar, com grande estabilidade e tranquilidade nas relações políticas entre Palácio do Planalto e Congresso Nacional nestes últimos quatro anos.

 

Neste período, PT e PMDB se revezaram no comando da Câmara dos Deputados. Esse ambiente propiciou as condições necessárias para grandes avanços sociais e econômicos que beneficiaram o povo brasileiro com políticas públicas bem sucedidas em várias áreas.

 

Com o objetivo de garantir a manutenção deste cenário político positivo na Câmara dos Deputados, PT e PMDB firmam protocolo estabelecendo o seguinte:

 

1 – O PMDB e PT possuem as maiores bancadas da Câmara e decidem que cada um dos partidos presidirá a Casa em um dos biênios da legislatura a ser iniciada em fevereiro de 2011;

 

2 – O partido que presidir o primeiro biênio se compromete a apoiar o outro no período imediatamente posterior;

 

3 – O PT exercerá a presidência no primeiro biênio e o PMDB presidirá a Casa no segundo biênio;

 

4 – PT e PMDB buscarão os demais partidos para participarem deste entendimento;

 

5 – O presente acordo diz respeito somente à presidência da Câmara, devendo os demais cargos da Mesa Diretora serem ocupados pelos outros partidos da Casa segundo critérios a serem ajustados entre eles.

 

A união das forças partidárias tem colaborado decisivamente para melhorar o Brasil. Temos certeza de que este trabalho conjunto, baseado no compromisso político e no diálogo institucional trará avanços ainda maiores nos próximos quatro anos.

 

Michel Temer – Presidente Nacional do PMDB

 

José Eduardo Dutra – presidente nacional do PT

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