No embate contra Dilma-2012, Aécio reedita em Belo Horiozonte a tática usada contra Lula-2010

 

Ao intervir na disputa municipal de Belo Horizonte para impor a candidatura petista de Patrus Ananias, Dilma Rousseff despertou o instinto de defesa de Aécio Neves. Provável antagonista da presidente na sucessão de 2014, o presidenciável tucano tomou a movimentação de Dilma como um desafio pessoal.

 

Aécio decidiu reeditar em 2012 a tática que o levou a prevalecer sobre Lula na disputa estadual de 2010. Naquele ano, Lula foi aos palanques de Minas do lado do candidato a governador Hélio Costa, do PMDB. Dono de popularidade que ombreava com a de Lula no Estado, Aécio tratou-o como um forasteiro.

 

Passou a cultivar o discurso segundo o qual o mineiro é um povo tradicionalmente hospitaleiro, mas cioso de suas responsabilidades. Não sonegaria a Lula recepções calorosas. Porém, refugaria os conselhos externos na hora de “definir os seus destinos”. Antonio Anastasia, o candidato de Aécio, reelegeu-se no primeiro turno.

 

Contra Dilma, Aécio recorre ao mesmo discurso da intrusão. Realça que, depois de informar que não jogaria as engrenagens do Planalto nas disputas municipais, a presidente meteu-se na capital mineira, federalizando a peleja local. Fez isso ao prestigiar o rompimento do PT mineiro com o candidato Márcio Lacerda, do PSB.

 

A exemplo do que dizia de Anastasia, em 2010, Aécio sustenta agora que Lacerda merece ser reeleito porque sua administração é bem avaliada e não faz faria nexo interrompê-la sob nenhum pretexto. Ao apartar-se do projeto, diz ele, o PT agiu por “oportunismo” e terá dificuldade para “construir um discurso minimamente coerente.”

 

Ao atribuir a Lacerda a melhor avaliação entre os prefeitos das seis principais capitais brasileiras, o Datafolha como que potencializou o discurso de Aécio. Antes mesmo da divulgação dessa sondagem, ele dizia ter apostado em Lacerda quando ninguém o conhecia. Agora, afirmava só ter “motivos para renovar a confiança.”

 

Eleito em 2008 com o apoio do PSDB e do PT, Lacerda governou os primeiros quatro anos com um vice petista rompido com ele. Entregou ao petismo, 70% dos cargos da prefeitura –mais de mil poltronas, pelas contas de Aécio. “Vamos exploarar isso na campanha”, diz o presidenciável tucano.

 

Como pode o PT dizer agora que Lacerda é um mau prefeito depois de ter participado do governo dele por quatro anos?, eis a pergunta que Aécio pendura na atmosfera. Recorda que o próprio Patrus Ananias, agora antagonista do prefeito, integrou um fórum de planejamento estratégico da prefeitura.

 

Daí a sua percepção de que o projeto esboçado por Dilma longe das montanhas de Minas será rejeitado pelos mineiros. Agora com razões ainda mais sólidas do que as que inspiraram a decisão de 2010. Quando lembrado do fato de Dilma ter nascido em Belo Horizonte, Aécio dá de ombros. Alega que, politicamente, a presidente fez-se em Porto Alegre.

 

Aécio diverte-se contando as autoridades gaúchas que Dilma plantou em sua equipe. Sete no total: Brizola Neto (Trabalho), Alexandre Tombini (Banco Central), Luís Inácio Adams (Advogacia Geral da União), Mendes Ribeiro (Agricultura), Marco Antônio Raupp (Ciência e Tecnologia), Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Pepe Vargas (Desenvolvimento Agrário).

 

A conta vai a oito quando incluída na lista a ministra Tereza Campello. Sucessora de Patrus Ananias na pasta do Desenvolvimento Social, ela nasceu em São Paulo. Mas é filiada ao PT do Rio Grande do Sul, onde fez carreira e constituiu família, casando-se com o deputado Paulo Ferreira, do PT gaúcho.

 

Aécio tenta reacender o alegado brio regionalista dos mineiros porque sabe que uma derrota na província o deixaria mal na cena nacional. Com que cara pedirá votos no país em 2014 se o eleitor da capital do seu Estado lhe der as costas em 2012? É para fugir desse contrasenso que Aécio combate Dilma com as armas que usou contra Lula.

 

Por ora, informa o Datafolha, Aécio rema no sentido da maré. Márcio Lacerda mantém em relação a Patrus Ananias uma dianteira de 17 pontos percentuais na pesquisa divulgada no final de semana. Esboça-se uma campanha polarizada. De um lado, Aécio-Lacerda. Do outro Dilma-Ananias. Ao fundo, 2014.

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