Cartaz de ato pró-Delúbio: ‘No fim tudo dá certo’

A dez dias do início do julgamento do mensalão no STF, a Juventude do PT de Brasília realizou na Capital da República um ato de desagravo a Delúbio Soares. O gestor das valerianas arcas foi brindado com um cartaz de teor otimista (repare na foto).

 

Em fundo vermelho, com a fato do homenageado ao lado, imprimiu-se no cartaz uma frase do cronista Fernando Sabino: “No fim tudo dá certo, e se não deu certo é porque ainda não chegou ao fim.” Em letras menores, um vaticínio: “Força companheiro Delúbio Soares, a justiça será feita.”

 

No convite que conclamou a juventude petista a comparecer ao ato, anotou-se que o objetivo da reunião seria “ouvir e compreender a explanação de defesa do companheiro Delúbio Soares, fazendo um debate ético e democrático, isento de manipulação midiática.”

 

No mesmo dia, a Procuradoria-Geral da República, autora da denúncia que fundamenta a ação penal do mensalão, divulgou em seu site um texto que ajuda a refrescar a memória. “Mensalão: entenda como funcionava o núcleo político”, eis o título. O trecho do resumo dedicado a Delúbio ocupa dois parágrafos.

 

O primeiro: “O então tesoureiro do PT integrou o grupo criminoso desde 2003, tornando-se o principal elo entre o núcleo político e os núcleos operacional (composto pelo grupo de Marcos Valério) e financeiro (formado pelos dirigentes dos bancos BMG e Rural). Sob o comando de José Dirceu, coube a Delúbio Soares os primeiros contatos com Marcos Valério para viabilizar o esquema de obtenção dos recursos que financiaram a cooptação de partidos para a composição da base aliada do governo. Delúbio Soares tinha a atribuição de indicar a Marcos Valério os valores e os nomes dos beneficiários dos recursos ilícitos.”

 

O segundo: “Além de indicar para onde iria o dinheiro desviado, a ação de Delúbio Soares, como integrante do grupo criminoso, não se limitou a indicar os beneficiários das propinas, tendo sido também o beneficiário final das quantias recebidas. De acordo com as investigações, Delúbio utilizou-se do esquema de lavagem operacionalizado pelo grupo, enviando laranjas para o recebimento de valores nas agências do Banco Rural em Brasília e em São Paulo. O valor total percebido por Delúbio Soares foi de R$ 550 mil.”

 

No ato da Juventude do PT, preferiu-se discutir outros assuntos: “É missão de cada militante compreender e difundir as reformas de que tanto o Brasil precisa, tais como a reforma política e o marco regulatório das comunicações”, anunciava o texto do convite.

 

Atrás do cartaz redentor –“No fim tudo dá certo”— ouviu-se um barulhinho. Era Fernando Sabino revirando-se no túmulo. Em matéria de decisões judiciais, não há nada mais equivocado do que ter certeza. A peça promocional do petismo errou de cronista. Nelson Rodrigues soaria mais adequado: “…Eu recomendo aos jovens: encelheçam depressa, deixem de ser jovens o mais rápido possível.”

 

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