Cúpula do PSDB avalia que Serra vive ‘inferno astral’

Dirigentes do PSDB passaram a enxergar o cenário eleitoral de São Paulo com um misto de perplexidade e pessimismo. Disseminou-se na legenda a avaliação de que a candidatura de José Serra à prefeitura paulistana está sitiada por indicadores que prenunciam mau agouro.

 

Na definição de um tucano que se diz “amigo” e “torcedor” de Serra, o candidato atravessa “um inferno astral.” A quatro dias do início da propaganda eleitoral da tevê, arrosta adversidades que “nem os seus piores inimigos imaginavam que enfrentaria.”

 

Deve-se a perplexidade do tucanato ao desempenho de Celso Russomanno (PRB), um rival insuspeitado. No esboço que o PSDB fizera da disputa, a campanha chegaria à fase televisiva num cenário mais nítido. Imaginou-se que, a essa altura, as pesquisas refletiriam a reedição da velha polarização entre tucanos e petistas.

 

Nesse enredo, Serra lideraria as sondagens com folga. Beneficiado pela superexposição da campanha presidencial de 2010, roçaria os 40%. Enxergaria no retrovisor um Fernando Haddad já acima dos 15%, a caminho do terço do eleitorado que habitualmente vota no PT.

 

Nada parecido com a atmosfera insinuada nas últimas pesquisas e reiterada pelos números do Ibope divulgados nesta quinta (16). Além de amargar um empate em 26% com o azarão Russomanno, Serra lida com um lote de adversidades que desafiam o setor de marketing do seu comitê.

 

O percentual de eleitores que o rejeitam (37% segundo o Ibope) supera em 11 pontos a taxa dos que revelam a disposição de votar nele. Na interpretação do “amigo” tucano, a aversão ao candidato é potencializada por dois fatores. Adicionou-se à má fama adquirida por ter abandonado o mandato de prefeito conquistado em 2004 o apoio tóxico de Gilberto Kassab, um gestor mal avaliado.

 

Nessa versão, a companhia de Kassab pendurou no pescoço de Serra a âncora de uma administração que a maioria dos paulistanos deseja sepultar. Em outras palavras: Serra representa a continuidade num instante em que o eleitor almeja mudança. Aos olhos do paulistano, o triunfo de Serra significaria uma virada de página. Para trás. É um tipo de sensação que, dependendo do grau de enraizamento, nem a melhor propaganda é capaz de reverter.

 

O pessimismo da cúpula do PSDB federal foi potencializado pelo cenário de segundo turno perscrutado pelo Ibope. Segundo o instituto, numa disputa direta contra Serra, Russomanno prevaleceria hoje por um placar de 42% a 35%. Coisa que o tucanato jamais imaginou.

 

Acredita-se que Russomanno, dono de uma vitrine televisiva miúda, pode cair. O problema é que Haddad começou a subir. A despeito do momentâneo déficit de Lula na campanha do PT, o candidato da legenda foi de 6% para 9% em 15 dias.

 

O deslocamento de Haddad não chegou a ultrapassar a margem de erro da pesquisa. Mas o pupilo de Lula se descola do pelotão de retardatários antes mesmo de ser beneficiado pela exposição do rosto de seu patrono na tevê. Soninha Francine (PPS), Gabriel Chalita (PMDB) e Paulinho da Força (PDT) acotovelam-se agora na casa dos 5%.

 

A eventual ascensão de Haddad injetaria lógica na disputa, restabelecendo a polarização PT X PSDB. O problema é que, para desassossego do tucanato, os 26% amealhados por Serra no Ibope estão muito aquém dos cerca de 40% que se imaginou que ele teria na fase atual.

 

Em caso de confirmação dos maus presságios do PSDB, é difícil saber o que seria pior para Serra: a derrota para um Russomano que jamais exerceu cargos executivos ou a derrocada diante de um Haddad debutante em urnas, espécie de versão masculina da ex-poste Dilma Rousseff.

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