Mau desempenho de Serra reacende entre os tucanos críticas a ‘personalismo’ do candidato

Em queda nas pesquisas desde o final de junho, José Serra vive no seu partido situação análoga à que experimentou em 2010, quando foi batido por Dilma Rousseff na corrida presidencial. Reativou-se no PSDB a usina de críticas a ele.

 

Em privado, dirigentes nacionais do tucanato apontam “erros” na condução da campanha à prefeitura de São Paulo. Queixam-se do estilo de Serra. Seria demasiado “personalista”, impermeável a sugestões.

 

Entre os reparos, destacam-se três. Num, diz-se que Serra teria menosprezado o efeito deletério do descumprimento da promessa de cumprir até o final o mandato de prefeito que obtivera em 2004.

 

Noutro, afirma-se que o candidato, embora munido de pesquisas que indicavam a crescente aversão do paulistano à gestão do prefeito Gilberto Kassab, adotou um discurso que o aproximaria da continuidade acrítica da administração reprovada.

 

Numa terceira censura ao comportamento de Serra, alega-se que ele conduz sua campanha à margem do partido. Não escuta senão as opiniões do marqueteiro Luiz Gonzalez –o mesmo que conduziu, sob críticas, a malograda propaganda de 2010.

 

O grande receio da cúpula tucana é o de que o PSDB fique de fora do segundo turno da disputa de São Paulo. Uma hipótese já materializada nas dobras da última pesquisa Datafolha, divulgada na madrugada desta quarta (5).

 

Nessa pesquisa, o ex-azarão Celso Russomanno (PRB) cresceu quatro pontos em seis dias. Com 35% das intenções de voto, isolou-se na liderança. Serra escorregou um ponto e foi a 21%. Fernando Haddad (PT) oscilou dois pontos para o alto, amealhando 16%.

 

Como a margem de erro da sondagem é de três pontos –para mais ou para menos, Serra está agora tecnicamente empatado com Haddad. Na pior hipótese, o tucano teria 18%. No seu melhor cenário, Haddad iria, no teto da margem de erro, a 19%.

 

Em avaliação compartilhada com o comitê de Serra, a direção do PSDB federal já contava com uma disputa em dois turnos. Dava de barato que, empurrado por Lula, Haddad subiria nas pesquisas.

 

O que o tucanato não imaginava, nem nos seus piores pesadelos, é que Russomanno lideraria a disputa a 32 dias da eleição. Tampouco era concebida a ideia de que Serra pudesse conviver com o risco morrer na praia do primeiro turno.

 

Nesse ponto, a surpresa não é exclusividade do PSDB. Também Lula dava como favas contadas um segundo turno entre seu pupilo Haddad e Serra. Personagens como Ciro Gomes (PSB), velho desafeto de Serra, consideravam-no “favorito”.

 

Para desassossego de um PSDB já situado na fronteira do desespero, o Datafolha informa que a rejeição a Serra continua alta (42%). Pior: a proporção de eleitores que consideram a gestão do aliado Kassab ruim ou péssima cresceu de 36% para 48% em uma semana.

 

Para inquietação generalizada, o instituto também informa que, aos olhos de hoje, Russomanno prevaleceria no segundo turno. Bateria Serra por 58% a 30%. Venceria Haddad por 56% a 30%. O ex-azarão tornou-se um fenômeno à espera de explicação.

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