PT decide apoiar PDT em Natal, contra PMDB

Horas depois de o PMDB associar-se à candidatura petista de Fernando Haddad em São Paulo, o PT deu as costas para o candidato peemedebista à prefeitura de Natal, Hermano Moraes. Na capital do Rio Grande do Norte, o petismo preferiu apoiar no segundo turno Carlos Eduardo, do PDT.

 

Ao participar do ato de adesão a Haddad, o vice-presidente Michel Temer, principal liderança do PMDB federal, dissera ter a expectativa de que o PT potiguar pelo menos optasse pela neutralidade. Em nota divulgada na noite passada, o diretório municipal do partido de Lula em Natal refugou também essa alternativa.

 

Com sua decisão, o PT se contrapôs ao grupo dos dois morubixabas do PMDB do Rio Grande do Norte: o líder do partido na Câmara Henrique Eduardo Alves e o ministro Garibaldi Alves (Previdência). Os dois são os principais patronos do candidato Hermano. O gesto do petismo ganha maior relevância em função do placar do primeiro turno.

 

Carlos Eduardo, o candidato do PDT, foi ao segundo round com votação expressiva: 40,5% dos votos válidos. Hermano, o postulante do PMDB, passou raspando na trave. Obteve 23% dos votos. Por muito pouco não perdeu a vaga para o petista Fernando Mineiro, que amealhou 22,6% dos votos.

 

Para o PMDB, o apoio do PT ajudaria Hermano a equilibrar o jogo na disputa final contra Carlos Eduardo. Em sua nota, o diretório petista invocou duas razões para dar preferência ao PDT. Numa, alegou-se que o pedetista “pode incorporar” em seu programa pontos defendidos pelo PT. Noutra, sustentou-se que o PDT faz “oposição às forças políticas” que estão no poder na cidade e no Estado.

 

No Rio Grande do Norte, o PMDB participa da gestão da governadora Rosalba Ciarlini, do DEM. Trata como aliada também a prefeita Micarla de Sousa (PV), eleita em 2008 em coligação com o DEM do senador José Agripino Maia, um dos mais notórios opositores do PT em Brasília.

 

Candidato favorito à presidência da Câmara, o deputado Henrique Alves enxergou no movimento do PT um paradoxo. Ele recordou durante a negociação que, em São Paulo, o PDT incorporou-se à caravana do tucano José Serra. O petismo potiguar deu de ombros. Tratou a encrenca de Natal como questão local, dissociando-a da cena paulistana.

 

Lula e cúpula do PT abstiveram-se de intervir em Natal. Estava entendido que o PMDB, por sua presença no governo federal, não utilizaria o desacordo do Rio Grande do Norte como pretexto para esquivar-se do apoio a Haddad. De fato, o grupo do vice Temer não chegou sequer a considerar a hipótese de apoiar José Serra ou de manter-se neutro. Seria politicamente injustificável.

 

Assim, o PMDB ruminará em silêncio a contrariedade de Natal, fará pose de generoso e levará o apoio a Haddad à coluna de ativos do balanço da sociedade que mantém com o PT, Lula e Dilma. Algo a ser lembrado no início de 2013, quando Henrique Alves espera ser eleito presidente da Câmara e o PMDB imagina que será brindado com um reforço de sua presença na Esplanada dos Ministérios.

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