Depois de confirmar presença de Dilma em sua posse, Joaquim Barbosa leva convite a Sarney

 

Joaquim Barbosa prepara com método o palco de sua posse na presidência do STF no próximo dia 22. Na manhã desta segunda-feira (12), foi ao Planalto para entregar o convite a Dilma Rousseff. Obteve dela a confirmação de que estará presente. Horas depois, no plenário do Supremo, Barbosa subverteu a ordem do cálculo da dosimetria das penas do mensalão.

 

Em vez de cuidar do núcleo financeiro do processo, como anunciara na semana passada, levou à bancada a escrituração do castigo dos petistas do núcleo político, que estavam no final da fila. Votou pelo encarceramento de José Dirceu e Delúbio Soares. Serviu a José Genoino o refresco do regime semi-aberto. Prevaleceu entre os colegas. Foi como se dissesse à plateia que a presença de Dilma não muda o rigor com que manuseia a calculadora.

 

Na manhã desta terça (13), menos de 24 horas depois de reiterar diante das câmeras da TV Justiça que o Executivo, sob Lula, comprou consciências no Legislativo, Barbosa vai ao presidente do Congresso, José Sarney. Entregará ao morubixaba do PMDB convite idêntico ao que levou a Dilma.

 

O relator do mensalão percorre a Praça dos Três Poderes num instante em que o julgamento, já em fase avançada, revela ao país que a democracia brasileira é feita de quatro Poderes: o Executivo, o Legislativo, o Judiciário e o Dinheiro –não necessariamente nessa ordem.

 

Protagonista da primeira tentativa séria de demonstrar que o poder da pecúnia, por deletério, pode resultar em cadeia no Brasil, Barbosa não se limita a convidar os chefes dos outros poderes a dar as caras em sua posse. Convida-os a dar uma demonstração de que o poder da grana ainda não eliminou por completo a réstia de institucionalidade que sobreviveu às deformações do modelo.

 

Junto com o convite, Dilma e Sarney aceitam também o risco. O ritual de posse dos presidentes do STF não concede aos chefes do Executivo e do Legislativo a porerrogativa de usar o microfone. Diga o que disser Barbosa em seu discurso, não restará aos convidados de honra senão engolir palavras a seco. E se o julgamento do mensalão provou alguma coisa foi que o futuro anfitrião do Judiciário não mede as palavras na escala dos milímetros.

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