Lula se esquiva de repórteres em evento no Rio

Lula compareceu na noite passada a um jantar festivo promovido pela Pirelli. Coisa destinada a celebrar o lançamento do calendário lançado anualmente pela empresa. Na peça de 2013, uma seleção de belas mulheres faz pose diante de paisagens cariocas. Os idealizadores dizem que o mote é a exaltação das transformações socioeconômicas ocorridas no Brasil. Daí o convite a Lula.

 

Para desassossego do convidado ilustre, o repasto da Pirelli foi servido num dia em que arde nas manchetes o escândalo da mafia dos pareceres, estrelado por Rosamary Noronha, a Rose. Lula chegou acompanhado dos governadores Sérgio Cabral (Rio) e Jaques Wagner (Bahia).

 

Protegido por um denso esquema de segurança, Lula atravessou as dezenas de repórteres que o aguardavam intercalando sorrisos, acenos e um vocábulo: “Não”. Fez ouvidos moucos para as perguntas. Compreensível.

 

As investigações da Polícia Federal revelam que Rose, uma auxiliar que Lula nomeou para o escritório da Presidência em São Paulo e que Dilma teve de exonerar, detinha poder insuspeitado para uma servidora de terceiro escalão. Mandava e, sobretudo, desmandava nas engrenagens do Estado.

 

Conforme já noticiado aqui, Rose e Lula desenvolveram uma intimidade que ultrapassou as fronteiras do relacionamento entre subordinada e chefe. O receio de que as apurações resultem em constrangimentos para o ex-chefe e, no limite, para o governo levou o Planalto a mobilizar sua infantaria congressual.

 

Brecaram-se, por ora, as tentativas da oposição de arrastar Rose para depoimentos na Câmara e no Senado. De novo: compreensível que Lula não queira falar sobre o tema. Vencida a massa de repórteres incômodos, o ex-soberano respirou uma atmosfera mais amistosa. Afora os rapapés de executivos da Pirelli, esbarrou com belas mulheres. Entre elas a veterana Sophia Loren.

 

La Loren foi trazida ao Rio especialmente para entregar um troféu criado pela Pirelli para homenagear Lula. Ele trocou meia duzia de palavras com a atriz. Disse considerar o encontro um “privilégio”. Afirmou que assistiu a inúmeros filmes estrelados por ela. Ao discursar, Lula pronunciou autoelogios –tiramos 28 milhões de brasileiros da miséria— e brindou a plateia com um chiste.

 

Calendário com mulher bonita é sempre um sucesso, disse Lula. Não importa se elas estão vestidas ou não. Na política, é diferente. A deterioração moral cresce na proporção direta da expoisção da nudez estatal. Talvez por isso Lula tenha deixado o jantar da Pirelli antes que fosse servido o primeiro prato.

 

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