PT de SP faz jantar para ‘morder’ empresários

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Há dez anos, o PT era um partido à beira da estrada. Que faz ele?, perguntaria Nelson Rodrigues se o visse na época. Lambe uma rapadura. E além de lamber a rapadura? Raspa, com infinito deleite, a sua sarna bíblica. Sem falar nos piolhos que o devoram, e nas brotoejas que o perseguem, o cronista finalizaria,

 

Hoje, a coisa mudou de figura. No poder federal há dois mandatos e meio, o PT olha para trás e enxerga os antigos dramas como pesadelos humorísticos de sua história. Outrora socialista, a legenda de Lula e Dilma queria botar formicida no café dos capitalistas. Hoje, jantam-nos na mesa do jantar.

 

Na noite desta segunda-feira (25), realizou-se em São Paulo um desses jantares aos quais os empresários comparecem para ser mordidos. Aconteceu no Leopolldo, uma luxuosa casa de repastos da capital paulista. Deve-se a organização do repasto ao PT. O objetivo declarado foi a coleta de fundos (R$ 1,5 milhão) para cobrir dívidas da vitoriosa campanha de Fernando Haddad à prefeitura paulistana.

 

O comitê de Haddad recolheu durante a campanha notáveis R$ 42 milhões. Gastou muito mais: R$ 67,9 milhões. Espetou na tesouraria do diretório municipal do PT um passivo de R$ 25,9 milhões. Sem as valerianas da era Delúbio Soares, o diretório nacional cobriu apenas 20% do buraco. Não restou à turma de São Paulo senão rebolar. Daí o jantar.

 

Chama-se Alfredinho o responsável pelas arcas do PT na cidade de São Paulo. Vereador, ele disse que os convites para a refeição –200 unidades, a R$ 10 mil cada— foram oferecidos a “doadores tradicioais” de campanhas políticas. Soou tranquilo: “Receber doações nunca é tarefa fácil. Mas tivemos a felicidade de conseguir ajuda para saldar a dívida.”

 

Sobre o tipo de gente que aceitou recostar os cotovelos à mesa, Alfredinho declarou, entre risos: “Só vai quem tem muito dinheiro.” Que logomarcas abriram suas caixas registradoras? Alfredinho esquiva-se de responder: “Combinamos com os doadores de revelar o nome apenas na prestação de contas que será entregue ao TRE. Vamos manter a ética.”

 

Suprema ironia: quando estava à beira da estrada, o PT denunciava as arcas alheias e cobrava transparência. Hoje, trafegando em expressa, a legenda adere à ética das sombras. Mais uma evidência de que, em política, nada se cria, nada se transforma, tudo se corrompe.

 

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