Aécio Neves para Dilma: ‘Desça do palanque’

Entrevista com o senador Aécio Neves (PSDB)

Aécio Neves, presidenciável do PSDB, veio à boca do palco para responder às penúltimas críticas feitas por Dilma Rousseff. Ao discursar na convenção do aliado PMDB, a presidente chamou seus antagonistas de “mercadores do pessimismo”. Previram racionamento de energia e, agora, jogam “todas as fichas” no insucesso da sua administração. Vão perder, disse ela.

 

E Aécio, evocando o ‘pibinho’ de 0,9% que acaba de ser divulgado pelo IBGE: “No momento em que o Brasil ainda assimila com enorme preocupação mais um pífio resultado da economia, seria prudente que a presidente descesse do palanque e enfrentasse com competência e coragem os reais desafios do Brasil. Nesse momento, o Brasil precisa muito mais de uma presidente do que e uma candidata.”

 

À sua maneira, Dilma tenta grudar no tucanato a pecha de pregoeiros do ‘quanto pior, melhor’, queno passado FHC pespegava no petismo. “Eu tenho certeza que todos vocês sabem que torcer contra é o único recurso daqueles que não sabem agir a favor do Brasil”, disse Dilma no encontro do PMDB. “…Fizemos o que era difícil, o que parecia impossível, o que nossos adversários políticos quando puderam, não souberam ou não quiseram fazer.”

 

Irônico, Aécio insinuou que Dilma investe contra a oposição porque a carapuça lhe serve: “É curiosa a obsessão que a presidente da República tem pela oposição. Assim como fez na festa [de aniversário] de seu próprio partido [na semana passada], também na convenção de seu maior aliado ela demonstra a dimensão de sua preocupação com as críticas sérias e responsáveis que temos feito.”

 

Muita gente anda estranhando que, empurrada por Lula, Dilma tenha escalado o palanque de 2014 um ano e oito meses antes do encontro do eleitorado com as urnas. Normalmente, a atmosfera de campanha não interessa a quem precisa governar. É a oposição quem puxa a fila, não o contrário. Não há, porém, nenhuma novidade na praça.

 

Na sucessão passada, Lula moveu-se com antecedência ainda maior. Em marco de 2008, dois anos e oito meses antes da eleição de 2010, o então presidente foi ao Complexo do Alemão, no Rio. Assinou ordens de serviço para obras do PAC. Ao discursar, voltou-se para o grupo de 35 autoridades que dividiam com ele o palanque. Chamou uma senhora que estava sentada na segunda fileira. Era Dilma, chefe da Casa Civil da Presidência.

 

Lula apresentou-a à plateia: “A Dilma é uma espécie de mãe do PAC. Ela é a companheira que coordena o PAC. É ela que cuida, que acompanha, que vai cobrar […] se as obras estão andando. O [Luiz Fernando] Pezão [vice-governador do Rio, responsável pelas obras do PAC nas favelas fluminenses] é grandão, mas ele vai saber o que é ser cobrado pela Dilma.” A partir daí, Dilma não ia ao meio-fio sem ouvir perguntas sobre a candidatura presidencial.

 

Para 2010, a tática de Lula funcionou. Para 2014, ele não faz senão repetir a fórmula. Num instante em que Eduardo Campos (PSB) ensaia uma candidatura que pode levar a disputa ao segundo turno, Lula se esforça para polarizar com o tucanato. Natural. Esse adversário ele já conhece.

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