Antecipação de 2014 só produziu mediocridade

AngeliFisiologismo

Se todo mundo entendeu corretamente, Lula lançou a recandidatura de Dilma Rousseff antes da hora para afastar o falatório de que ele ele próprio poderia ser o candidato. Um pouco como o viciado que, conhecedor das próprias fraquezas, cerca a bebida, a cigarrilha ou a urna com sistemas de alarme contra ele mesmo.

 

Satisfeita, Dilma paga o preço do encurtamento do mandato. Ao levar a campanha às suas extremas inconsequências, Lula despertou os apetites da base aliciada e acordou a oposição, que já se opõe. Recebido num seminário do PSDB de Goiás aos gritos de “Brasil pra frente, Aécio presidente”, o senador Aécio Neves voltou a aprumar o bico.

 

“O governo tirou os olhos de 2013 e focou em 2014″, disse. “E governo que acha que pode acabar com a pobreza por decreto merece ser enfrentado e combatido.” Seu nome já está na disputa?, alguém perguntou. E Aécio, entre risos: “Na boca do povo.” E quanto a Eduardo Campos? “Todas as candidaturas são bem-vindas.”

 

Embora não pareça, há método na ilógica de Lula. Ao arrancar o tucanato do ninho, ele tenta reacender a polarização PT X PSDB, fingindo que a novidade pernambucana não existe. Enredado, Aécio critica a antecipação de 2014 ao mesmo tempo em que escala o palanque. Não tem escapatória. Ou faz isso ou transforma Eduardo Campos em alternativa única.

 

Quando o circo pega fogo –Aécio lembrando que foi Cabral quem descobriu o Brasil, Dilma dizendo que o petismo não herdou coisa nenhuma, FHC chamando-a de ingrata, Lula mandando-o calar a boca—, a plateia é submetida a um rebaixamento da qualidade do espetáculo. O Planalto escala o seu segundo time para guerrear.

 

“Isso não, senador!”, disse Gilberto Carvalho, o Gilbertinho, sobre ocomentário de Aécio de que Dilma quer extinguir a miséria por decreto. “Esse governo não abandonou seu povo e por isso a miséria está nos abandonando”, prosseguiu o ministro petê, titular da Secretaria-Geral da Presidência.

 

“Ao contrário de governos anteriores, tivemos coragem de ouvir esse povo. […]. Esses governos neoliberais, que esse senador representa, querem voltar a comandar o país, mas o povo não vai deixar.” Chamado a meter a colher no angu, o companheiro Rui Falcão, presidente do PT, disse: “Não sou comentarista de Aécio Neves.”

 

Num instante em que o IBGE acaba de anunciar que o PIB de 2012 foi ridículo, a tática de Lula disfarça a tragédia econômica com a comédia política. A primeira vítima da pantomima foi a sobriedade de Dilma. Ela agora já diz que, “em eleição, podemos fazer o diabo”. Difícil prever o que o Tinhoso fará com o que lhe resta de mandato. Mas de uma coisa ninguém mais discorda: nunca antes na história desse país houve, na cena política, tamanho desperdício de mediocridade.

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