Novo partido pende para Eduardo, afirma Freire

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A Mobilização Democrática, legenda a ser criada nesta quarta-feira (17) a partir da fusão do PPS com o PMN, enxerga no governador pernambucano Eduardo Campos (PSB) a melhor alternativa para a sucessão de 2014. “Isso é bom inclusive para o próprio Aécio Neves, porque a presença de mais candidatos na disputa força a realização de um segundo turno”, disse o deputado Roberto Freire, presidente do PPS, em entrevista ao blog.

O novo partido foi constituído para oferecer uma “janela” aos políticos descontentes com suas atuais legendas. Freire informa que serão bem-vindos inclusive insatisfeitos do recém-criado PSD e do DEM. “Não temos razão para adotar filtro ideológico. A realidade política que estamos vivendo exige uma amplitude maior, pede a formação de uma frente democrática.” Espera trazer o tucano José Serra? “Estamos no jogo, esperando até o último segundo”, responde Freire. Abaixo, a entrevista:

— A nova legenda, que se define como da esquerda democrática, não irá se descaracterizar ao receber políticos de partidos como PSD e DEM? É por isso que o partido vai ser chamado de Mobilização Democrática, embora tenha uma componente de esquerda, inclusive com a tradição comunista, que o PPS traz. Não vamos ficar circunscrevendo nossa ação a quem for de esquerda.

— Não receia ser comparado a Gilberto Kassab, que disse que o PSD não seria de esquerda nem de direita nem de centro? Não. Nosso partido, se você quiser situar, será de centro-esquerda. A componente de esquerda, inclusive comunista, vai se fazer notar, junto com setores da sociedade que são democráticos. Nosso projeto é de natureza essencialmente democrática. Diria a você que, em função da realidade brasileira, estamos criando uma frente democrática tal como construímos lá atrás, no velho MDB, na luta contra a ditadura.

— Os tempos são outros, não? É claro que há todas as diferenças. Não estamos numa ditadura. Mas nós estamos construindo uma alternativa política que tem uma esquerda, até de origem comunista, e a abertura concreta para a formulação conjunta com políticos e lideranças democráticas do país. Entre os nomes que podemos imaginar para disputar o governo teremos, no campo oposicionista, inclusive a possibilidade de caminhar com um candidato de esquerda.

— Refere-se a Eduardo Campos? Isso pode ocorrer, na hipótese de ele vir a ser candidato. Marina Silva também representará uma candidatura democrática e progressista. Há várias alternativas.

— Que alternativa o novo partido deve adotar? Diria a você que a alternativa que mais se fortaleceu dentro do PPS com essa fusão, sem dúvida nenhuma, é essa que vê na candidatura de Eduardo Campos a melhor opção para o partido. Até porque a fusão foi muito pensada por esse grupo.

— Ainda não citou Aécio Neves. Exclui o nome dele por considerá-lo de centro? Não. Defino Aécio como um social-democrata, um homem de esquerda. Vou lembrar um episódio que poucos sabem. Quando era mais jovem, o Aécio foi junto conosco a um Congresso da Juventude, na delegação que o PCB enviou a Moscou. Ele sempre teve bom diálogo conosco. É um democrata.

— Mas não terá o apoio, é isso? Aécio merece todo o nosso respeito e poderá merecer o voto, sem nenhuma dúvida. Podemos ter outra opção. Mas isso é importante até do ponto de vista tático. É bom inclusive para o próprio Aécio, porque a presença de mais candidatos força a realização de um segundo turno. Eu creio que isso é taticamente o mais correto para a oposição brasileira. Não vejo razão para concentrar a disputa no primeiro turno. Isso é para a Venezuela, aqui não.

— Para enfatizar: não haverá filtro ideológico para as filiações à nova legenda? Não. A mudança de PCB para PPS já não observou esse filtro ideológico. Era um partido de esquerda, mas não tínhamos essa exigência. Até porque nós superamos a fase do PCB, do marxismo-leninismo, do centralismo democrático. Agora, nessa fusão, mais uma vez não temos razão para adotar filtro ideológico. A realidade política que estamos vivendo exige uma amplitude maior, pede a formação de uma frente democrática.

— Todos pensam assim? Algumas pessoas dizem: ah, pode vir fulano ou beltrano. Não estou citando nome exatamente por isso. Nós, do PPS, já passamos por isso. No nosso processo de mudança, tivemos aqui ou acolá alguém que trouxe práticas que não eram condizentes com o que pensávamos no partido. E o processo foi depurando isso. Lembro do próprio Ciro Gomes. Ajudou o partido como candidato [à Presidência, em 2002]. Mas depois imaginou que poderia ficar no governo de Lula quando o partido promoveu um rompimento. E o partido mandou ele embora.

— Por ironia, hoje ele está no PSB de Eduardo Campos. Tudo bem. Não tem nenhum problema. Se ele não fizer nenhuma besteira, está ótimo. Vamos lá, estamos juntos. O que é fundamental, e a experiência do PPS indica isso, é que, mesmo com esse pluralismo, você não pode perder os seus valores. E esse novo partido não vai perder. Não vamos vetar ninguém, mas ninguém pode chegar aqui é adotar práticas que não sejam condizentes com o que nós, historicamente, representamos. Isso é um processo. Já vivemos essa experiência.

— Espera atrair quantos novos filiados? Não tenho estimativas. Não estamos conversando nada, porque temos primeiro que definir a fusão, o que faremos nesta quarta-feira. Tenho recebido muitos telefonemas dos Estados, inclusive de São Paulo. São veradores, prefeitos e deputados estaduais. Os deputados federais nós vamos ver no que vai dar.

— Acha que há políticos desconfortáveis em outras legendas? Ah, claro. Se não tivesse, o Kassab não estaria tão aperreado. E não é só Kassab. Pelo que vocês informam, a dona Dilma também está preocupada. Não creio que eles estejam tensos porque pode vir alguém de partidos da oposição. Estão tensos porque pode sair gente da base do governo.

— A fusão foi antecipada para se precaver contra o projeto de lei que dificulta a criação de novos partidos? É exatamente isso. A lei, se for aprovada, não pode retroagir. Vamos existir como novo partido na vigência do mesmo ordenamento jurídico que viabilizou o PSD. O partido político é autônomo. De acordo com a lei, ele é que decide os seus destinos, ele se autodetermina. Pode se fundir, incorporar-se a outro, pode se extinguir. E também pode criar um novo partido por sucessão, tal como o PCB fez lá atrás, tornando-se PPS. O partido é livre para definir os seus destinos. Só não pode infringir a lei. Pois bem, nós faremos um congresso conjunto com PMN, elegeremos um órgão de direção nacional e faremos o registro no cartório de títulos e documentos. A partir desse instante, o partido já terá existência formal. Depois, comunicaremos ao TSE.

— Não teme que o PPS seja tachado de oportunista? do  estamos fazendo isso. Vamos fazer um Congresso, a lei de fusao (9/096, de 95) diz que orgaos nacionais de deliberaçao dos partidos votaram em sessao conjunta, maioria absoluta, projeto e elegerao orgao de direçao nacional, que promoverá o registro do novo partido. Começa com isso, faz-se o reigstro em cartório de títulos e documentos da ata da reniao conjunta que decidiu pela fusao e depois a comunicaçao ao TSE. A fusao se realiza no momento do registro noc artório de titulos e documentos.

— Continua achando que o projeto que altera as regras para a criação de partiros é um golpe? Claro. O que está querendo é acabar com algo que o José Serra chamou de portabilidade [o deputado que muda de partido leva o tempo de televisão e a cota do fundo partidário proporcional à sua última votação]. Chamo de casuísmo e golpe. Nos perguntamos: por que vocês não discutem a troca de regras para a próxima legislatura. Para o futuro, tudo bem, podemos até discutir. O que não dá é para proibir isso agora, depois de que o PSD ter sido beneficiado.

— Não teme que o PPS seja tachado de oportunista? Nenhum receio. Até porque já foi permitido para privilegiar um partido que se vinculou ao governo. Nesse momento, eu diria que não é oportunismo, mas senso de oportunidade. Não fui eu que inventei isso. O PPS foi atingido. Perdeu quatro deputados federais para o PSD. E eu não reclamei. Tudo bem. Saíram do partido e o Supremo Tribunal Federal disse que era correta a interpretação de que eles levavam o tempo de tevê e o fundo partidário. Tudo tudo bem. Agora, não venham dizer que estamos inventando isso. De nossa parte, o que há é o senso de oportunidade. Basta ver o protagonismo que passamos a ter nesse processo de 2014.

— Ainda tem a expectativa de trazer José Serra? Expectativa a gente nunca perde. No futebol, os segundos são irrelevantes. Mas no basquete cada segundo pode ser decisivo. Já joguei basquete e sei o que o último segundo pode representar. Estamos no jogo, esperando até o último segundo.

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