“Acredito que seremos a única novidade nessa eleição”, diz Robério Paulino ao O Mossoroense

ImagemRobério Paulino tenta se colocar como alternativa de esquerda enquanto os demais partidos tentam se definir para as eleições deste ano, o PSOL já tem um candidato posto para as eleições. O professor universitário Robério Paulino já tem o apoio da maioria do partido para ir a disputa. Nesta entrevista ele apresenta algumas de suas ideias.

 

O Mossoroense: O senhor já está definido como candidato do PSOL?

Robério Paulino: Neste momento sou um dos pré-candidatos internamente ao partido. Por uma questão de convicção profundamente democrática, o PSOL deverá realizar prévias entre seus filiados no Estado para definir seu pré-candidato. Mas já existe uma maioria consolidada defendendo o meu nome e acredito que deverei ser o candidato do partido ao governo.

 

OM: Como surgiu a escolha do seu nome?

RP: Avalio que por minha larga experiência e acúmulo sobre os principais problemas do país e do Estado, por minha trajetória de quase 40 anos ao lado das lutas sociais e também pela belíssima campanha a prefeito de Natal em 2012, quando, com uma campanha de pouco mais de 18 mil reais, mas que encantou boa parte da população consciente da cidade, obtivemos quase 4% dos votos, sendo um novato na eleição.

 

OM: O senhor se sente preparado para a disputa?

RP: Venho investigando os problemas do Nordeste e do Rio Grande do Norte há décadas, desde quando estudava na USP, em São Paulo. A questão fundiária, o equívoco da política hídrica para nosso semiárido, o atraso da indústria, os problemas na educação, na saúde, no transporte, na segurança etc. E vamos apresentar propostas muito ousadas e viáveis para enfrentá-los, uma ruptura completa na forma de fazer a política pública em nosso Estado, que deixará de beneficiar apenas as grandes empresas e os políticos corruptos, as oligarquias, e se voltará para a população trabalhadora e pobre. Vamos apresentar um programa de transformações profundas, de justiça social, de modernização na economia, no campo, na cidade. Preparei-me muito e sinto-me mais que capacitado, mas também não tenho vocação para sabe-tudo, para autoritarismo. Vamos convidar o que tiver de melhor na inteligência deste Estado, nas universidades, nos movimentos sociais, na sociedade civil, para juntos construirmos um novo projeto para o RN.

 

OM: Há espaço para uma candidatura do PSOL no Rio Grande do Norte, diante do contexto atual com a população indo às ruas protestar e com as indefinições dos grupos tradicionais?

RP: Não somente existe um maior espaço, mas um clamor urgente da população por mudanças de verdade, especialmente dos que foram às ruas em junho de 2013. As ruas pedem o novo. Estive nas ruas juntamente com milhares de jovens lutando por outro país; fui tirar manifestantes da cadeia. Ninguém aguenta mais esses velhos políticos, essas velhas oligarquias que dominam nosso Estado; medíocres, tacanhas, corruptas. E vamos derrotá-las nas ruas e nas urnas. Acredito que seremos a única novidade nessa eleição, sem compromisso com a velha política no Rio Grande do Norte, representada pelos demais candidatos que se apresentam ao governo.

 

OM: Assim como a maioria dos membros do PSOL, o senhor saiu do PT. Como foi essa saída?

RP: Ajudei a fundar o PT na década de 1980, ainda muito jovem, um grande sonho. Mas muitos saímos desse partido quando percebemos que a submissão e a integração do PT ao capitalismo brasileiro e à velha política havia se completado. Basta ver o mensalão. O PT se misturou com toda podridão da política brasileira. Não há mais possibilidade de reversão do processo de corrupção ideológica e ética desse partido;ele está perdido para o avanço da luta social no país. Hoje os governos do PT reprimem as manifestações a serviço do capital, como se viu no início da luta contra a elevação as tarifas em São Paulo em junho de 2013. Mas nós do PSOL continuamos o sonho.

 

OM: Especialista em gestão pública, o senhor acredita que explorar essa qualificação fará a diferença na campanha?

RP: Como economista e professor da UFRN, no Departamento de Políticas Públicas, ajudo a orientar o estudo, todo semestre, de centenas de alunos sobre os problemas mais candentes do Estado em diversas áreas. Fazemos tanto diagnósticos quanto planos e projetos para o Estado. Tenho investigado também experiências internacionais de países há poucas décadas atrasados e que hoje são países de ponta, como Coreia do Sul; o que eles fizeram para dar um salto em diversas áreas, como na educação. Tenho acompanhado de perto a China também. Por exemplo, existem muitas experiências exitosas de convivência com o semiárido e até no deserto em muitos países, como Austrália e Israel, que venho estudando em detalhes, e propomos aplicar no RN.

 

OM: Como o senhor analisa a situação do Estado em questões como recursos hídricos, saúde, segurança e educação?

RP: A questão hídrica aqui não é apenas a pouca chuva, mas a concentração das melhores terras na mão de poucos e o equívoco da política hídrica, limitada a barragens, adutoras, açudes e barreiros, onde a água fica contaminada e evapora até 70%. Aqui chove muito mais que na Austrália, por exemplo, e lá, mesmo no deserto, eles produzem bem. Precisamos de uma Reforma Agrária e armazenar a água da chuva limpa, em cada propriedade, com grandes placas coletoras e cisternas. Isso exige inteligência, investimento e apoio ao produtor. Já a educação pública no Estado é um caos; temos 18,5% de analfabetos, segundo o Censo 2010 do IBGE, escolas aos pedaços, uma vergonha. Vamos dar um choque de qualidade na educação, a começar por melhorar o salário dos educadores e melhorar muito as escolas. Sou professor há mais de 30 anos e sei que a saída está na educação. Na segurança, vamos chamar todos os envolvidos e montar um ousado plano para a área, que não se resuma apenas à repressão ao crime, que leve em conta a questão social, que vá à raiz do problema, que é dar melhores oportunidades à nossa população e à nossa juventude. No transporte vamos trabalhar para modernizar toda a frota, criar empresas públicas e um novo modelo de mobilidade baseado no transporte coletivo, em ciclovias etc. e implantar a tarifa zero no transporte em poucos anos.Na saúde, precisamos elevar os investimentos, capacitar e pagar melhor o pessoal, ouvir os servidores, equipar a rede básica, porta de entrada do sistema.

 

OM: O discurso da extrema esquerda não costuma ser assimilado pela população. Na sua opinião, porque isso acontece?

RP: Os setores conservadores controlam o Estado, dominam a mídia e estimulam todo dia o preconceito contra tudo que é inovador, diferente. Mas a população começa a entender isso e abrir os olhos. Veja-se junho de 2013: quem esperava aquilo? No Brasil está se armando um barril de pólvora prestes a explodir e somente a esquerda socialista pode dar uma saída efetiva aos grandes problemas nacionais. Mas a esquerda precisa também aprender a ser mais tolerante, a conversar com o povo, a ouvir, a renovar seu discurso, fazer-se compreender. Somos socialistas e vamos mostrar às pessoas que um governo nosso teria muito mais liberdade, democracia e tolerância que esse sistema decadente atual.

 

OM: O seu partido defende o impeachment de Rosalba. O senhor concorda com essa posição?

RP: Eu assinei o pedido de impeachment que chegou à Assembleia Legislativa. Penso que passou da hora de afastar essa senhora, sinônimo de descalabro da máquina de governo, incompetência, mediocridade e utilização da coisa pública em favor próprio e de amigos.

 

OM: Qual a saída para o Rio Grande do Norte perante essa crise?

RP: Um programa ousado, de ruptura com essa velha política caduca e corrupta; de modernização da economia do Estado, de redistribuição da terra e da renda, de redução do imenso fosso social herdado do período colonial, de erradicação da pobreza, da miséria e da ignorância em nosso Estado. Isso só se faz se a prioridade do Estado forem os serviços públicos de boa qualidade, na educação, na saúde, no transporte, na segurança etc… e não a submissão aos interesses empresariais, como ocorre hoje. É isto que apresentaremos à população.

 

OM: O PSOL fará alianças com outros partidos?

RP: Estamos discutindo a formação de uma Frente Ampla de Esquerda com o PSTU e o PCB e esperamos que a esquerda possa sair unida nesta eleição. De parte do PSOL há muita disposição para isso e pensamos que é uma necessidade. Uma Frente assim terá muito mais condições de chegar à população. E vamos chegar com muita força.

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