Paraguai desafia estereótipo em Foz do Iguaçu

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Certos países são vistos sob o ângulo grotescamente simplificado do estereótipo. O Paraguai, por exemplo, é tido no Brasil como uma espécie de Éden do contrabando. Pois surgiu uma nova realidade que desafia, ainda que temporariamente, a ideia convencional que se faz do vizinho. A Ponte da Amizade agora tem mão dupla.

 

Os paraguaios cruzam a fronteira para exibir sua prosperidade na cidade paranaense de Foz do Iguaçu. Capitalizados por uma eloquente taxa de crescimento econômico —14,1% em 2013—, eles gastam no comércio e nos restaurantes. Investem em diversão. Tratam-se com médicos brasileiros.

 

O fenômeno ainda não foi estatisticamente dimensionado. Mas o repórter Alexandre Palmar colecionou um lote de evidências que subvertem o preconceito. Um supermercado da cidade, o Big Foz, passou a receber a visita diária de algo como 200 paraguaios. Eles já representam 5% da clientela do estabelecimento.

 

O shopping Cataratas JL estima que 10% dos seus 400 mil visitantes mensais vêm do Paraguai. Noutro shopping, o Catuaí, ainda em construção, duas das seis salas de cinema exibirão filmes legendados em espanhol. O mimo visual foi concebido como isca para atrair os novos consumidores endinheirados.

 

O presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Roni Temp, diz que os gastos dos consumidores paraguaios são diversificados. “Muitos deles vêm gastar em alimentação, vestuário, lazer, saúde e até mesmo investir em imóveis na cidade.”

 

Roni Temp faz uma constatação que deveria funcionar como sinal de alerta. Segundo ele, empresários brasileiros vêm transferindo seus negócios para o Paraguai. Os empreendimentos migram para aproveitar vantagens tributárias. Os investimentos proliferam na agropecuária e também na indústria.

 

Uma lei paraguaia concede incentivos para a instalação de empresas exportadoras. No caso da indústria, cobra-se um tributo de apenas 1% do faturamento. Vice-presidente da Associação Comercial e Industrial de Foz do Iguaçu, Mario de Camargo pinta o quadro:

 

 

“Os investidores são atraídos pela segurança jurídica, baixa carga tributária e baixas contribuições sociais laborais. Além disso, a energia é barata. O Paraguai é o quinto maior exportador de carne e o quarto maior produtor de soja do mundo. Sua única dificuldade é a falta de saída para o mar, o que encarece o transporte das exportações.”

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