OAS dá calote de R$ 100 mi e fica inadimplente

OASEncrencada na Operação Lava Jato, a OAS tornou-se oficialmente uma empresa inadimplente. Atingiu essa condição depois que se negou a quitar uma dívida de R$ 100 milhões. Refere-se a debêntures, que são títulos emitidos pela própria companhia para captar dinheiro no mercado e que dão aos seus detentores o direito a um crédito.

Em notícia veiculada nesta terça-feira (6), os repórteres Vinícius Pinheiro e Talita Moreira informam que o papelório da OAS venceria apenas em abril de 2016. Porém, no ato da emissão, a empreiteira permitira a cobrança antecipada caso sua nota nas agências de avaliação de risco caísse abaixo de ‘BBB+’. Algo que aconteceu em novembro do ano passado. Os repórteres Raquel Landim e David Friedlander também tratam da encrenca financeira da OAS.

A avaliação de risco da OAS micou um pouco mais na última sexta-feira. A agência Fitch rebaixou a nota da construtora para ‘C’, uma das mais baixas. Outras duas agências, a Standard & Poors e a Moody’s, também podaram a nota da OAS, rebaixando-a para ‘CC’ e ‘C’, respectivamente. Mais um pouco e a OAS atinge o nível do calote.

Em nota, a OAS informou que suspendeu temporariamente os pagamentos das dívidas, exceto aquelas ligadas às suas atividades operacionais. Mantiveram-se em dia, por ora, os pagamentos de “financiamentos de equipamentos, leasings, fianças bancárias e seguros-garantia relacionados a obras.” De resto, a empreiteira corta despesas, elabora um plano de venda de ativos e sinaliza ao mercado a intenção de negociar.

O que está ruim pode se tornar bem pior se o calote na dívida das debêntures despertar nos demais credores da OAS o desejo de antecipar a cobrança. Numa conta feita pela agência Fitch, a dívida total da OAS somava R$ 7,7 bilhões há três meses. E havia em caixa R$ 1,4 bilhão. Num cenário assim, a escassez de crédito é sinônimo de falta de oxigênio.

Outras construtoras pilhadas pagando propinas na Petrobras dobram os joelhos, informa a repórter Karla Mendes. Atrasam o pagamentos de fornecedores e dos funcionários. Começaram a demitir.

Uma delas, a Engevix, já foi inclusive alvejada por um pedido de falência na Vara Cívil de Barueri, cidade paulista onde está sediada. Deve-se a iniciativa a uma empresa chamada Locar Transportes Técnicos e Guindastes Ltda., que cobra uma dívida de R$ 895 mil. Em nota, a Engevix reconheceu que atravessa “um momento difícil” e analisa a venda de ativos.

A UTC e a Mendes Junior também enfrentam problemas para liquidar a folha de pagamento. Por isso, demitem. A UTC reconheceu que, “diante das perspectivas de redução da atividade econômica para este ano”, decidiu “readequar seu quadro de funcionários”. A Mendes Júnior preferiu não se manifestar.

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