Renan é predador interno ou inimigo externo?

dilma e renan“Temos muitos motivos para preservar e defender a Petrobras de predadores internos e de seus inimigos externos”, discursou Dilma Roussef na cerimônia de posse. Com essa declaração, a presidente ficou devendo uma resposta à plateia: em que categoria enquadra-se o senador Renan Calheiros?

Nesta segunda-feira (5), o ex-senador cearense Sérgio Machado prorrogou pela segunda vez a licença que o mantém supostamente afastado da presidência da Transpetro desde 4 de novembro de 2014. Indicado por Renan, o personagem foi acusado de corrupção pelo petrodelator Paulo Roberto Costa.

A acusação veio à luz em 8 de outubro, num depoimento de Paulo Roberto ao juiz da Lava Jato, Sérgio Moro. Ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o denunciante disse ter recebido do afilhado de Renan propina de R$ 500 mil —coisa proveninete de uma encomenda de embarcações feita por sua diretoria e licitada pela Transpetro.

Sérgio Machado negou, Renan avalizou e Dilma ignorou. O diabo é que a Price, empresa que audita os balanços da Petrobras, não quis fechar os olhos. Condicionou a análise da escrituração do terceiro trimestre ao afastamento do denunciado. Discute daqui, negocia dali chegou-se à formula da licença. Valeria por um mês. Vencida, foi prorrogada por mais um mês.

Expirou novamente no último sábado (3). E voltou a ser renovada, dessa vez por mais 16 dias, até 21 de janeiro. Por quê? Decerto Dilma deseja manter Machado por perto, para cumprir a promessa renovada no discurso da segunda posse de “apurar com rigor tudo de errado que foi feito” na Petrobras, para “fortalecê-la cada vez mais.”

Por ora, sem balanço e imersa numa megajazida de suspeição, a maior estatal brasileira definha indefesa. Enquanto Sérgio Machado prospectava um espichamento de sua inusitada permanência, as ações da companhia desabavam, atingindo sua menor cotação desde 2004.

Nomeado em 2003, sob Lula, Machado parece ter obtido estabilidade no emprego. De licença em licença, completou 12 anos no emprego. E ainda se enfiou no segundo quadriênio de Dilma. Já pode se jactar de ter o mesmo tempo de casa da gerentona. Além da acusação do delator Paulo Roberto, pesa-lhe sobre os ombros uma denúncia por improbidade feita pelo Ministério Público Federal, ainda pendente de deliberação judicial.

Retorne-se, por inevitável, à interrogação que flutua sobre o penteado da presidente: que qualificação deve ser atribuída a Renan e seu afilhado na Petrobras? Ou Dilma encontra uma resposta ou logo o espelho a inquirirá: “afinal, a madame se enxerga como? É predadora interna ou inimiga externa?”

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