Haddad: não aumentar ônibus ‘seria demagogia’

Haddad

Josias de Souza – Folha S. Paulo

Nas palavras do prefeito Fernando Haddad (PT), “seria demagogia” não reajustar de R$ 3,00 para R$ 3,50 a tarifa de ônibus na cidade de São Paulo, como foi feito na última terça-feira. “Seria puro eleitoralismo”, ele enfatiza, antes de questionar: “Sabendo que isso não é sustentável porque eu não tenho fonte de financiamento vou adotar essa política demagógica só pelo calendário eleitoral?”

Haddad disse ter preferido seguir noutra trilha: “Ao invés de adotar uma política demagógica, nós tomamos três medidas: diminuímos a idade da gratuidade de idosos para 60 anos, criamos o passe livre estudantil, incorporando o transporte ao direito à educação, e mantivemos as tarifas dos bilhetes temporais para estimular uma nova visão do transporte por parte do empregador.”

O prefeito fez essas considerações numa entrevista às repórteres Talita Bedinelli e Marina Rossi, veiculada na web pelo El País. Além dos ônibus, subiram em São Paulo, por decisão do governador Geraldo Alckmin (PSDB), as tarifas do metrô e dos trens. Perguntou-se a Haddad se não receia que o reajuste volte a funcionar como estopim para a explosão das ruas, como sucedeu em junho de 2013.

“Eu sempre fui da opinião de que em 2013 o problema não era exatamente a tarifa”, ele respondeu. “A repressão ao movimento gerou uma mudança de perspectiva. Tanto é verdade que, mesmo depois da redução da tarifa, os protestos continuaram basicamente até a Copa.” Para o prefeito, o desdobramento teria sido outro se a Polícia Militar tivesse administrado a encrenca com mais comedimento.

O Movimento Passe Livre, que acendeu o pavio de 2013, programa novas manifestações para esta sexta-feira (9). Mas Haddad avalia que o movimento saberá “valorizar a vitória que teve”. Que vitória? “A manutenção do valor dos bilhetes temporais (mensal, seminal e diário) e a instituição do passe livre estudantil são vitórias importantes do movimento”, afirma o prefeito. Dessa vez, tenta realçar Haddad, o município não está simplesmente reajustando a tarifa, como fez há dois anos.

“A Prefeitura amadureceu formulações na perspectiva de estabelecer um diálogo com aquilo que ela considera legítimo da parte do movimento” declara o prefeito. Ele alega problemas de custo para justicar os limites impostos ao passe livre, restringindo o benefício aos estudantes.

“Sempre defendemos que era possível avançar na política de gratuidade, mas o passe livre universal dependia de uma fonte de financiamento. De onde eu vou tirar seis bilhões de reais por ano para financiar o transporte público da cidade [para todos] sem prejudicar áreas como saúde, educação e moradia?”

Haddad diz compreender as reivindicações levadas ao meio-fio, mas entende que precisa observar os problemas com os olhos de quem segura a chave do cofre. “Entendo a perspectiva do movimento social, que não tem as responsabilidades que eu tenho. Quem reivindica tarifa zero já pra todos os cidadãos não tem compromisso com outras pautas de reivindicação tão legítimas quanto essa. Certamente eles não estão preocupados com moradia, com a falta de medicamentos e médicos nos postos de saúde, com a qualidade da educação… O Prefeito da cidade tem que estar preocupado, inclusive, com a sustentabilidade do projeto que ele representa. E paga por isso.”

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